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À conversa sobre a crise

 

Falámos com Maria João Santos, empreendedora na área do serviço social e formada em Direito, que nos mostrou uma perspectiva realista sobre a situação actual de Portugal, da esfera política, à económica e social. Por Rita Avelar e Sara Silva

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acha que Portugal está finalmente a sair da crise?

 

Eu acho que não, Portugal está ainda longe de sair da crise. Nós tivemos quatro anos muito austeros, já se estava a sentir a pressão de crise motivada pelos Estados Unidos… e neste momento com estas medidas de austeridade tão drásticas vamos ter o efeito dominó. Saímos mas ainda não acabámos. Nós temos uma economia de rastos, com incentivos falsos, são incentivos que dependem de empréstimos bancários, logo de juros, logo de uma não autonomia das pessoas que os vão utilizar.

 

Como acha que Portugal irá lidar com os problemas económicos, daqui para a frente?

 

O que irá acontecer futuramente é que daqui a três, talvez ate 2 anos, vamos sentir o fundo total de todas estas más acções. Aumentar o IVA significa diminuir o poder de compra, e o que faz uma economia desenvolver-se é ter poder de comprar, se as pessoas não têm capacidade para comprar não vai haver possibilidade de produzir, se não há capacidade de produzir não vai haver motor económico.

 

O problema principal de toda a situação actual de Portugal pode vir directamente dos políticos que estão à frente deste governo. Concorda com esta afirmação?

Nós vemos nas notícias que a despesa do Estado aumentou. Criar um vice-primeiro-ministro? Não havia necessidade, tinha que se por o Paulo Portas em algum lado, em algum lugar, porque estava amuado. Enfim, há certas pessoas que lidam mal com estas situações de se lhes tirar mais privilégios, então dá-se-lhes mais. O que implica mais despesas, mais um assessor, mais um carro, mais uma despesa de gasolina, mais um absurdo (…). Se nós compararmos o nosso parlamento com a Austrália, que é considerado um dos países mais estáveis economicamente do mundo, que tem o dobro da população de Portugal, tem cem deputados, nós temos 230. São menos ministros, são menos cargos, não há aquela questão de os assessores serem pagos pelo Estado, os assessores são pagos pelo partido, se o deputado quer ter três assessores é um problema dele, é uma despesa do partido público, não é uma despesa do horário público. Nós não.

 

A questão das irregularidades legislação constitui um entrave ao rigor e organização da sociedade, no nosso país?

 

Quem está a fazer as leis neste momento são as carteiras de advogados, que fazem parte do lobby criado pela Assembleia que podia ter os seus legisladores mas está a contratar os escritórios externos, de pessoas que já passaram pelo Governo, porque têm ligações estritas. Esses escritórios colocam os estagiários a fazer esse trabalho. É claro que não se pode pedir – e vocês têm essa noção quando saem do curso – a mesma experiência, a mesma compreensão da realidade que alguém que já ali está há mais tempo. E como a maior parte das vezes os professores, os responsáveis pelo estágio desses estagiários não vão verificar na íntegra o trabalho (…) isso faz com que coloquem assinaturas em documentos que não estão legalmente preparados para a realidade efectiva. Como foi o caso da lei do arrendamento, em 2012.

 

Conhece casos reais de pessoas que ficaram prejudicadas social e economicamente por estas falhas?

 

Houve pessoas, senhoras de idade, que não souberam contestar o arrendamento dos senhorios, ou por vergonha, por desconhecimento, não contactaram com os serviços que eram disponibilizados gratuitos para esse fim, ou que não tiveram os senhorios a fazer isso por eles, e que fizeram contratos de cinco anos, em que ao final de cinco anos os podem mandar para a rua. Tenho outra senhora, em que o senhorio sabia que a lei ia sair e as alterações iam afectar, fez uma avaliação da casa dessa senhora antes de a lei entrar em vigor, passou-lhe o papel para a mão para ela assinar, sabendo ela assinar mas não sabendo ler e interpretar, ou seja, alfabetizada pelo antigo regime com apenas a quarta classe mas iletrada porque não sabe ler conteúdos do que quer que seja, de interpretar o que lê. Essa senhora de 89 anos, com cancro, assinou um papel em que lhe diziam que era a renovação do contrato e que se mantinha tudo na mesma, quando na realidade era uma reavaliação da casa, do imóvel, para um valor de 650 euros dentro de cinco anos – que era o que previa a lei antiga – para a sua renda. (…) Esta senhora, dentro em pouco, vai para a rua. 

Manisfestação portuguesa, em Março de 2013. Fonte: ionline

Jornalismo de investigação em destaque no ISCSP

No passado dia 8 de Maio o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas recebeu os jornalistas convidados José António Cerejo, Susana André, Nuno Castilho de Matos e Joaquim Vieira, para discursar sobre jornalismo digital. 

Jornalismo de Investigação: um olhar sobre as questões políticas e sociais da actualidade foi o tema escolhido pelo Núcleo de Ciências da Comunicação para a conferência que decorreu num dos auditórios da faculdade, no passado dia 8 de Maio, pelas 10 horas.

 

Inserida em mais uma edição de conferências organizadas por todos os cursos do ISCSP, a de Ciências da Comunicação contou com convidados especiais da área do jornalismo de investigação. José António Cerejo, jornalista de investigação do Público abriu a sessão, moderada pela professora Carla Cruz, ao falar da importância do jornalismo de investigação em Portugal, bem como as suas origens e percurso até aos nossos dias, e das dificuldades que um jornalista se depara ao fazer este género de jornalismo.

 

 Os alunos presentes tiveram o privilégio de ouvir a convidada especial Susana André, Grande Repórter da SIC, e os seus testemunhos nesta área, acompanhados de um relato especial da última reportagem que fez na Venezuela, e ainda de um discurso acerca dos entraves à aprovação de muitos temas que se relacionam com a área da investigação, por parte das direcções de jornais ou televisões.

 

A palavra passou para o Director de Informação da Media Capital Radios, Nuno Castilho de Matos, que vez uma breve abordagem à existência, ou não existência de jornalismo de investigação nas rádios portuguesas.

 

Por Rita Avelar

 

Percorra a galeria abaixo com as fotografias do evento:

João Correia, ex-director geral do MAI detido e arguido

Foi hoje detido o ex-director João Correia, após ser constituído suspeito de corrupção e participação económica ilícita, na sequência da operação busca na Direção-Geral de Infraestruturas e Equipamentos do Ministério da Administração Interna (MAI) pela Polícia Judiciária (PJ).

Polícia Judiciária. Fonte: JN 

 

Na sequência de uma operação de busca levada a cabo pela PJ por todo o país na Direção Geral de Infraestruturas e Equipamentos (DGIE) e em residências, João Correia, o ex-director do MAI - que foi em Ferereiro afastado  do cargo  por causa de uma auditoria interna - foi hoje  detido e constituído arguido pelo DCIAP por suspeita de corrupção.

 

O político é suspeito de envolvimento em negócio relativo a contratos de obras públicas para para edifícios do Ministério da Administração Interna, mais exactamente as instalações das polícias, segundo regista o DN.  

 

O Ministério da Administração Interna enviou dados da sua prórpia investigação para o Ministério Público. "No âmbito de uma auditoria e processo de inquérito à Direcção-Geral de Infraestruturas e Equipamentos - realizado pela Inspecção-Geral da Administração Interna - foi determinado, pelo Ministro da Administração Interna, a remessa ao Ministério Público dos factos já apurados com eventual relevância criminal", comunicou o MAI.

 

A Inspecção-Geral da Administração Interna já deu início ao processo, que agora se encontra em segredo de Justiça.

 

Por Rita Avelar com TVI24 e DN

Página da Procuradoria-Geral de Lisboa sofre ataque informático

O movimento Anonymous Portugal assinalou o 40.º aniversário do 25 de Abril com um ataque informático à Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa e ao Sistema de Informação do Ministério Público. Ambos os sites ficaram inactivos e foram divulgados milhares de dados pessoais de magistrados e funcionários do MP.

SideKingdom12" mostra a página do site da PGD de Lisboa com um fundo negro e uma máscara sorridente associada ao movimento Anonymous, acompanhada de um cravo vermelho e da frase: "A informação é uma arma". Fonte: Jornal de Notícias

"Isto é o descontentamento pela vossa inércia e cooperação com os marginais que têm levado Portugal a uma pobreza maior que há 40 anos atrás", lia-se ontem à noite, numa mensagem publicada, alegadamente, pelo Anonymous Portugal, num dos sites onde o ataque foi divulgado.Mais tarde, essa frase e a imagem em cima mostrada, fora substituída por uma mensagem de erro dando conta da indisponibilidade do site da PGD de Lisboa, que é um dos mais completos e visitados de todo o sector da justiça.

 

O ataque logrou mandar abaixo o site da PGD de Lisboa e a plataforma de comunicação interna SIMP, aproveitando vulnerabilidades informáticas que permitiram ainda ao Anonymous sacar e divulgar a identidade completa de funcionários e procuradores do MP, nomes de utilizadores, senhas pessoais e números de telemóveis. Serão milhares os dados pessoais divulgados em diversos sítios da internet.

 

O ataque, com o nome de código 'Apagão Nacional', terá também atingido empresas, partidos e a Polícia Judiciária.

 

Este ataque - apresentado como uma acção contra "as políticas capitalistas" e em defesa "de uma sociedade verdadeiramente democrática" – está agora na alçada da Polícia Judiciária que abriu rapidamente um inquérito-crime com vista à investigação destes factos.

 

Por Helena Moreira com Jornal de Notícias

Cheias e mau tempo voltam a causar estragos

Mau tempo em Portugal. Fonte: Reuters

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, o aviso amarelo para o continente manter-se-á até quinta-Feira devido à previsão de chuva forte, granizo, trovoada e elevada agitação marítima.

 

Os estragos começam já a notar-se. Em Silves, por exemplo, a subida repentina das águas de uma ribeira, obrigou ao resgate de duas pessoas. A inundação matou vários animais e duas famílias tiveram de abandonar as suas casas. As barras marítimas de Vila Real de Santo António, Tavira, Albufeira, Alvor, São Martinho do Porto, Póvoa do Varzim, Esposende, Vila Praia de Âncora e Caminha, estão também fechadas à navegação e a embarcações de comprimento inferior a 10 e 35 metros.

 

A previsão continua a apontar para céu com períodos de nebulosidade, aguaceiros por vezes forte e acompanhados de aguaceiros e trovoadas, vento em geral fraco de sul, soprando moderado no litoral e moderado a forte nas terras altas, e descida da temperatura mínima. O IPMA informa também que na costa ocidente esperam-se ondas com 3 a 3,5 metros e na costa sul de 1,5 a 2,5 metros. Até Domingo prevêem-se melhoras.Helena Moreira com SIC Notícias.

 

Por Helena Moreira com SIC Notícias.

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